quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Golpe militar de 1964

Hoje em dia, muito se fala no golpe militar de 1964.
Que foi um golpe contra a democracia, que não havia motivos para o golpe e o exercito só visava o poder, que a tortura era uma ocorrência comum e que o povo não teve participação nenhuma nessa mudança política no país. Mas todos se esquecem de alguns fatos, e isso que trataremos nesse texto.
Vamos começar pelo inicio…
Em 1960, Janio Quadros ganhou a disputa presidencial para o mandato de 1961 a 1966, logo que assumiu, começou uma aproximação com Cuba, onde se fazia recente a revolução comunista vitoriosa sob o comando de Fidel Castro e Ernesto Che Guevara. Este ultimo tendo sido condecorado em 19 de agosto de 1961 por Jango com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, fato que gerou vários protestos entre os meios e comunicação, oposição e entre os militares, que se recusaram a formar a tropa em frente o palácio do planalto para receber o dito líder e também a devolverem suas próprias condecorações. Logo em seguida, no dia 25 de agosto Janio renuncia a presidência. Seu vice e sucessor direto, João Goulart estava em missão à china, também comunista. Os militares, diante desse fato e a inclinação esquerdista de Jango, o impendem de retornar ao país. Depois de muita negociação, liderada principalmente por seu cunhado, Leonel Brizola, é aceita sua volta mas, com a condição de que fosse instalado o regime parlamentarista, restringindo o poder do presidente. Porem, no ano de 1963 ocorre à volta do regime presidencialista através de um plebiscito, efetuado, entre vários motivos, pela ameaça de Brizola de intervenção armada no congresso.
A partir do momento em que assume, ate sua derrubada em 64, Jango, juntamente com Brizola, destroem a infra estrutura do país. Havia no momento do golpe uma divida de 3.8 bilhões de dólares, e não possuíamos credito no exterior, pois o descrédito internacional com o governo de Jango era total. Os fornecedores de petróleo, tão essencial para qualquer nação, só aceitavam pagamento a vista. A inflação ameaçava chegar a 144% em 1964. Os empresários deixavam de tomar decisões em longo prazo e a produção caia vertiginosamente. O déficit do Tesouro nacional era enorme e havia expectativa de que as despesas iriam superar em dobro as estimativas da receita.
Faltavam alimentos, o que gerava filas nas portas de armazéns e açougues. O comercio estava inseguro, em razão dos saques, da incerteza e das greves, apoiadas e incentivadas pelo governo. Havia escassez de energia, obrigando as fabricas existentes a trabalhar com geradores próprios e impedindo a construção de novas. Havia déficit de moradias, pois a construção de casa havia decaído e não havia imóveis para alugar. Os esquerdistas ligados ao poder botavam a culpa nos EUA, enquanto eles mesmos procuravam afundar o país para conseguir os seus intentos. Uma das principais causas da dos problemas brasileiros na época eram as greves, que muitas vezes tinham caráter político. As propostas de reforma agrária sem critérios e as invasões de terras amedrontavam os produtores rurais e paralisavam a agricultura. A saúde publica estava desorganizada, assim como a educação. Os alunos e professores dos cursos superiores haviam trocado a sala de aula pelas manifestações políticas. Os trabalhadores não tinham mais segurança no emprego e viviam a mercê dos pelegos, liderem de sindicatos ligados ao governo que só pensavam no bem próprio e não lutava pelos direitos do trabalhador, e que se uniram aos baderneiros e a esquerda submetendo o governo a sua vontade. Os portos, ferrovias e transporte aéreo estavam à beira da falência por conta das agitações e o sistema rodoviário, com falta de recursos estava se tornado inoperante, com estradas mal conservadas, traçados antieconômicos e reduzida extensão. As comunicações estavam completamente defasadas, podendo ser considerado um dos mais atrasados do mundo. O desequilíbrio regional era gritante. Havia também a fuga de capitais nacionais e repatriação de capitais estrangeiros devido à ameaça de esquerdização. Não havia projetos de desenvolvimento e a administração publica era inoperante. A indústria estava desmantelada devido a insegurança e as constantes greves. As forças armadas estavam divididas. Quando se levou a política para dentro dos quartéis, a hierarquia e a disciplina, que são as bases de sua formação, foram duramente afetadas.
A esquerda, que era a causadora de todos esses problemas, e de qual o presidente e seu cunhado faziam parte, estavam desestabilizando todo o país, armando o povo através das ligas camponesas e jogando os sargentos e praças contra os oficiais, para a seguir, dar um golpe de estado, transformando o Brasil em uma enorme Cuba. Mas a gota d água foi, quando o Jango, em um discurso no Automóvel Clube do Brasil, para sargentos, cabos, soldados e fuzileiros, foge do texto previamente preparado e prega a quebra da hierarquia militar. Alguns trechos do discurso mostram isso.
“Os mesmos golpistas de 1954, que levaram o Presidente Vargas ao suicídio e de 1961, que obrigaram Janio a renuncia e tentaram impedir minha posse, buscam agora derrubar-me como presidente constitucional.
Eles querem derrotar as reformas de base e as conquistas dos trabalhadores.
Mas os suboficiais, subtenentes e sargentos das nossas Forças Armadas não permitiram que consigam atingir os seus objetivos antinacionais.”
No dia 31 de março o General Mourão Filho desencadeia o golpe.
Outro fato que não é lembrado, ou que se faz questão de esquecer é que, a população apoiou o golpe militar. Isso fica caracterizado pelas “marcha da família com deus e liberdade”. No primeiro dos movimentos desse gênero, ocorrido no dia 19 de março reuniu cerca de 500 mil pessoas, que temendo por um golpe comunista davam total apoio e ate pediam a intervenção militar no Brasil.
Outro fato bastante recorrente é a questão das torturas. Houve sim torturas, pessoas morreram, mas precisa se olhar no contesto. Logo que o exercito assumiu, os esquerdistas, que visavam o golpe não sumiram simplesmente. Continuavam seu intento tentando desestabilizar o novo governo. São essas pessoas, as mesmas que deixaram o país na situação em que estava que foram os perseguidos, torturados e por vezes mortos. Outro fator era a divisão dentro do próprio exercito. Havia dentro do exercito divergências, entre a linha branda, que desejava a volta da democracia já em 1966 ou num futuro próximo e a linha dura, que temia a volta pelo fato de a ameaça esquerdista ainda não estar totalmente eliminada. A linha dura foi responsável pela apuração e punição dos culpados pela instabilidade do Brasil, agindo quase sempre pelas costas do governo. Um episodio que retrata isso é a exoneração do general Ednardo D'Ávila Melo comandante da II região militar, que abrangia o DOI/CODI de são Paulo, onde havia se dado o assassinato do jornalista Vladimir Herzog e que, fato inédito no Brasil, pelo presidente.
Finalizando, lhes pergunto, porque a visão deturpada dos acontecimentos que culminaram com o golpe de 1964? É simples, nossos últimos presidentes, Lula e agora Dilma, são aqueles que foram perseguidos durante a ditadura, eles fazem parte daqueles grupos que contribuíram para a situação chegar aonde chegou. Lula como sindicalista, esquerdista, baderneiro e Dilma, guerrilheira, assaltante de banco. E não se admirem se ao lerem esse texto notarem algumas semelhanças de hoje para com aquela época. Temos um governo esquerdista, que por tratados e favores eliminou a oposição e faz o que quer no poder. Estamos caminhando para o sonho de Jango e Brizola. Vamos assistir calados? Não devemos deixar a situação chegar a um ponto que não haja mais volta. Pois as gerações futuras nos culparam por isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário